sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Valeu Zumbi... Valeu Gamboa
Miracema recebe Garotinho
O município fluminense de Miracema recebeu nesta semana (quarta 18) na Câmara de Vereadores o ex-governaor Anthony Garotinho, presidente da Executiva Estadual do Partido da República (PR). A Câmara ficou pequena para tanta gente. Reunindo pastores evangélicos, líderes comunitários, vereadores de várias regiões e a comunidade em geral Garotinho falou sobre a importância da unificação do interior para o fortaleciento das políticas públicas em favor do povo do interior. Destacou as principais obras de seu governo e de Rosinha Garotinho a frente do Estado do Rio de Janeiro e da necessidade da retomada das ações a partir das novas eleições. O terno Azul... (Crônica)

Mas, havia algo que me incomodava. Não sei bem o que era, mas não me agradava. Talvez fosse a gravata! Sim, a gravata, ela não combinava. Não combinava a gravata, não combinava o terno azul, não combinava nada. Será que as pessoas não percebem que quando morremos somos o protagonista, o ator principal, o trovador vencedor do grande concurso e, que não podemos fazer feio? A verdade era que eu gostava muito mais da minha camisa listrada, do meu paletó e do meu inseparável suspensório. Esse sim minha marca registrada.
Lá fora a chuva parece não querer dar trégua. Aqui dentro as lágrimas umedecem os lenços saudosos e a beira do meu esquife. O lugar escolhido foi o Palácio da Cultura, onde eu e meus amigos comparsas transgredíamos em prosa e verso todas as formas de poetizar. Entre cafés e biscoitos falava dos pratos de minha avó, das águas correntes e das covinhas de minhas musas.
Das Heloísas eu era Abelardo, das Helenas o Teseu, das Capitu o secreto Escobar, das belas Penélopes era o Ulisses. Até das Olívias versadas por Veríssimo eu era o Eugênio a olhar os lírios do campo. Se todos eles tiveram suas inspirações, também eu tenho aqui minhas musas. Se noite fosse agora, minha vontade era de pegar o celular e a alguém indagar: Já vistes a lua como está linda esta noite? Saberia sua resposta: já escreveste meu poema? Quem não gosta de receber um elogio, um galanteio?
Recebi muitas homenagens. Nunca imaginei tantas coroas de flores. Na verdade achei que demoraria um tanto mais para recebê-las, mas, fazer o que? É a vida, ou melhor é a morte. Quanta gente chorosa! Quantas moças saudosas! Mas, choraram também os amigos mais sinceros.
Nasci no mato, mas no mato não me criei! Foi lá para bandas de São Fidélis, cidade poema que de meu pai aprendi as primeiras garatujas. Primogênito de oito irmãos (senti a falta de alguns neste dia...) quis ser doutor das medicinas, mas, foi na casa bancária que contando o dinheiro alheio ajudei a criar meus irmãos. Mas fui e sou um homem de sorte, pois aprendi a ver o homem por dentro e por fora e tornei-me assim poeta.
Entre choros, velas e versos declamados a tarde vai longe. Não demoras fecham o meu caixão. Mas confesso continuo incomodado com o terno azul. Não faz meu gênero. Não tem a minha marca. Onde esta meu inseparável suspensório? Na bicicleta da vida pedalei tanto, meu Deus, mas no melhor da descida furaram-se os dois pneus!...
Dizem os espiritualistas de plantão que quando viemos ao mundo, viemos com uma missão e, quando partimos deixamos nossa criação. Parece brincadeira, de mau gosto, mas brincadeira, pois no dia de minha partida levaram comigo minha expiação! Não é que retiraram do palácio as estátuas da abolição!
Mas, tudo isso não mais importa, eu continuo aqui de pé a olhar com serenidade a serenidade me levar embora. E por um instante, apenas por um instante quando olhava fixamente o terno azul, eu imaginei que eu era ele e, que ele era eu e, senti falta do suspensório.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Transcender o medo...
Todos nós sentimos medo. A sensação de que algo ruim poderá acontecer e às vezes acontece faz parte de nossa rotina. E nada mais natural do que sentir medo. Porém, não devemos cultivar emoções negativas. Enterrar a cabeça no monte de areia e achar que as coisas irão simplesmente passar por você e não lhe afetar inexiste.
Certa vez o líder negro norte-americano Martin Luther King admitiu ter ficado paralisado diante das ameaças que sofria: “Devemos encarar nossos medos firmemente e, com sinceridade perguntar a nós próprios por que temos medo. Através deste processo, obteremos poder”. Porém, um adendo do próprio líder libertador, “nunca seremos curados do medo pelo escapismo ou pela repressão, pois, quanto mais tentamos ignora-lo ou reprimi-lo, mais multiplicaremos nossos conflitos interno”.
Quantas vezes nos deparamos diante de um problema, e nos fixamos diretamente nele, tentando fazer com que ele mesmo nos dê a resposta para sua solução? Parados, fixados, imóveis diante deste dragão flamejante, não vislumbramos outras alternativas possíveis para resolvê-lo. Não exercitamos nossa capacidade de olhar além do problema e consequentemente não o solucionamos de maneira definitiva.
A sociedade contemporânea vive um momento decisivo para sua manutenção no planeta terra. Não me refiro tão somente as questões referentes ao aquecimento global, à poluição dos rios e mares, ao desmatamento das reservas florestais que acontecem pelo planeta a fora, mas, sobretudo com relação à capacidade de convivência do ser humano como o próprio ser humano.
A Sagrada Escritura nos revela a universalização da perversidade. Da barbárie em que vivemos. Um livro tão antigo, com revelações tão modernas. E a perspectiva não são as melhores. Mostra disto vemos todos os dias nos noticiários e pelas ruas por onde andamos. Morte, fome, desemprego, desabrigo e deslealdade com o semelhante.
O quadro pintado não é otimista. Porém, diferentes dos dinossauros, poderemos optar por salvar o planeta, e nossa humanidade. Devemos estar prontos para transcender o medo, olhar além do problema e propor a solução, pois nossa capacidade vai além da própria destruição. Mesmo que os últimos acontecimentos persistem em querer provar o contrário. Pense nisso e uma semana paz, progresso e evolução.
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Pessoas comuns são capazes de feitos extraordinários
Na verdade esses sentimentos são frutos da dificuldade que temos em mudar. Mudar nossos conceitos, comportamentos e nossas expectativas. Mudar o mundo, a comunidade e principalmente a nós mesmos. Acreditamos piamente que só os líderes e poderosos possuem as condições necessárias para mudar as coisas ao nosso redor.
Isso não é verdade. A verdade está dentro de nós. Da capacidade que temos de nos enxergar no mundo e de entendermos qual a nossa missão nele. Grandes feitos foram realizados por homens e mulheres tão comuns quanto nós. A diferença está na perspectiva como cada um deles olhou para o seu entorno.
Gandhi, que começou sua carreira na África do Sul, organizou um protesto com a queima de passes de trabalho, exigido a todas as pessoas de origem não européia. Diante da polícia sul-africana, depois de um breve discurso, um homem queima um passe e é preso. Gandhi adianta-se queima outro passe, e é agredido violentamente pela força policial. Não desiste e mesmo caído e com o rosto ensangüentado se arrasta e mais uma vez sob o olhar de espanto e temor do policial queima mais um passe de trabalho. A raiva do policial diminuiu, não gritava mais palavras de ordem, seu semblante muda com os gestos de Gandhi.
Não sejamos tão drásticos, mas devemos usar o exemplo deste homem franzino, de aparência frágil que foi capaz de mudar os rumos de uma nação, com exemplos de simplicidade, dedicação, devoção e amor a seu povo.
O processo de mudança é lento e doloroso. E a primeira coisa que devemos aprender é que não se muda o mundo, sem que primeiro haja mudanças dentro de nós mesmos e que é preciso assumir os riscos desta mudança. Não é fácil mudar, seja em uma organização, ou mesmo na vida particular que levamos.
Tomemos como exemplo agora a nossa cidade. Ela, como outras do inteiro do estado do Rio de Janeiro está vivenciando a tragédia causada pelas enchentes e destruição. De certo não poderemos deixar de reconhecer que nestes últimos anos faltaram políticas públicas necessárias para que calamidades como estas não precisassem acontecer (coisa do passado, que ficará para trás). Mas, e nós, o que temos feito para contribuir para que coisas como estas não voltem a acontecer?
Basta andarmos pelas ruas e praças e observarmos. As pessoas perderam o costume de ver a cidade limpa. Acusam os moradores dos bairros de periferias de sujarem a cidade, mas vejo em bairros nobres o lixo sendo jogado em terrenos baldios e mesmo em beiras de calçadas. Um simples papel da bala, ou uma latinha vazia de cerveja ou refrigerante jogados pela janela do carro, acumulados, irão entupir os bueiro e consequentemente nosso sistema de esgoto, e por sua vez nosso rio Paraíba, e assim por diante. Um simples gesto de boa vontade, de amor à cidade, ao próximo e a si mesmo pode e faz a diferença. Não precisamos ser a prefeita, o vereador ou a polícia para mudar para melhor a comunidade, a cidade e o mundo em que vivemos. Pessoas comuns são capazes de feitos extraordinários. Essa é a missão que justifica as nossas existências. Pense nisso. Uma semana de mudanças, paz, progresso e evolução para todos.
