quarta-feira, 2 de novembro de 2011

CUPINS NÃO DORMEM...

Em ata da Câmara Municipal, de 28 de dezembro de 1833*, na seção dos ofícios, se lia:

“Da commissão central promotora do estabelecimento do Lyceu de Campos, fazendo a doação á camara do prédio outro’ora pertencente ao espólio do barão da Lagoa Durada, e situado á praça do Pinheiro nesta, cedida sob as seguintes condições: 1ª. Fica o governo provincial com inteira liberdade de ação para adaptar o prédio ao estabelecimento do Lyceu, porem, durante o tempo que estiver o mesmo prédio servindo ao fim a que é destinado fazer todas as obras que forem reclamadas pelo mesmo estabelecimento;....”

* Acredito ser um erro de digitação, pois a data provável seja o ano de 1883 (grifo meu)
 (extraído do livro Subsídios para a História de Campos dos Goytacazes. Julio Feudit.1900.

De acordo com a professora, ex-liceista e pesquisadora Vera Passos o Salão Nobre do Solar do Barão da Lagoa Dourada, que há mais de um século é ocupado pelo Liceu de Humanidade de Campos está literalmente tombando sob as cabeças do povo campista e necessita com urgência de reformas, pois os cupins, que não dormem e não dão trégua ao patrimônio histórico da cidade estão devorando assoalhos, escadas e tudo mais que encontram pela frente.
Campos tem se tornado há muito a cidade do “já teve” e com isso vai perdendo sua identidade e seu patrimônio cultural. Assim aconteceu com o antigo Theatro Trianon, o Cine Theatro São Salvador e, pelo que parece é o que poderá acontecer ao belíssimo prédio do Liceu de Humanidade de Campos se não tomarmos alguma providência.
Assim, uma comissão formada por ex-alunos da instituição, professores, pesquisadores e representantes da comunidade campista foi criada com o intuito de iniciar um movimento em favor a preservação do referido prédio. Um documento de apoio a propositura de determinação de obras urgentes, destinado a promotoria pública do Estado do Rio de Janeiro foi lançado e necessita do maior número de assinaturas possíveis de pessoas que acreditem que histórias como a do Liceu não podem terminar como alimento de cupins.
Desta forma, conclamo a todos que se unam a esse movimento em favor de nossa história, em favor de nossa identidade e patrimônio cultural.

Nota: aquele que desejar participar do movimento e assinar ao documento envie uma mensagem para o e-mail heidenfelder@oi.com.br e eu encaminharei.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Projeto Imagens Que Te Quero Ler: trabalho da Animação Cultural na Escola Municipal Francisco de Assis

O Perfil do Animador Cultural

Talvez não nos caiba traçar o que seria o perfil do animador cultural, exatamente por conta de todas as suas especificidades, porém, sua atuação exige alguns atributos necessários á sua prática. Estar animado, antes mesmo de pretender animar qualquer ambiente em que se encontra, revela Cavalcanti (2007), deverá ser primordial. Estar entusiasmado com o que a vida lhe oferece. Ter autoconfiança, agir com empatia e simplicidade junto ao grupo a que pertence. Pensar globalmente, mas agir localmente aproximando pessoas, convivências e histórias. Valorizar a cultura do indivíduo e conduzi-lo à participação coletiva na sociedade. Propor sempre um diálogo aberto, fraterno e consciencioso, não predeterminar caminhos a serem seguidos, mas, conduzir com habilidade, dinamismo e clareza de objetivos aqueles que necessitam de sua atuação. Também precisa ser um mediador/catalisador capaz de intervir, de antecipar, de tomar a iniciativa em favor do grupo. Como agente problematizador ter sempre aguçado o senso crítico e despertar no grupo esse sentimento. Promover a participação coletiva e individual do sujeito no estado democrático. É, imprescindível estar sempre plugado a realidade do grupo, contextualizando sua participação, ouvindo seus apontamentos e necessidades. Descobrir talentos, facilitar acesso e otimizar recursos em favor do grupo e, assim, ultrapassar os limites dos muros, ampliar o tráfego nesta “ponte com via de mão dupla” sinalizada pelo professor e antropólogo Darcy Ribeiro ao falar da importância da participação da animação cultural na vida social, seja ela na escola, ou em qualquer outro espaço onde haja gente/humano.
            Mas, sobretudo acreditar. Não há prática de animação cultural por parte daqueles que não acreditem em uma proposta e gostem de atuar como animadores culturais, pois seu trabalho será sempre reflexo de seus valores, conceitos e atributos mais íntimos. Não haverá transformação do grupo, se esta não refletir a transformação do agente incentivador, o animador cultural.
por Wilson Heidenfelder
Presidente 
Centro de Estudos em Animação Cultural Darcy Ribeiro
(fragmento do artigo extraído do livro do Congresso de Animadores/as - Profissão e Profissionalização dos animadores culturais. Aveiro/Portugal.2010)